COP25 – Discurso da Sra. Élisabeth Borne, ministra da Transição Ecológica e Solidária (Madri, 11 de dezembro de 2019)

Senhora Presidente da COP25,
Senhoras e Senhores Ministros, Caros Colegas,
Senhoras e Senhores membros do corpo diplomático,
Senhoras e Senhores,

Há um ano, provas científicas da urgência da questão climática vêm se tornando cada vez mais abundantes. Elas são irrefutáveis.

Nossos concidadãos e, sobretudo, nossos jovens, decidiram assumir esse compromisso. Eles exigem agora que as palavras se transformem em atos.

O acordo de Paris é uma bússola que visa guiar nossa ação. E este é o espírito desta COP: a hora de agir é agora [« time for action is now »]. E cada minuto conta.

O ano que se anuncia é determinante para o sucesso da transição ecológica; para mudar a sociedade. Individualmente e coletivamente, essa responsabilidade é nossa.
E essa responsabilidade se refere primeiramente aos países desenvolvidos.

Eles têm o dever de serem exemplares em suas ambições e na escolha dos meios para realizá-las.

Para a França, a ambição é alcançar a neutralidade das emissões de carbono até 2050.

E para a Europa, nós defendemos um novo aumento da meta para 2030: uma redução de 55% das emissões e o compromisso de zerar as emissões líquidas de carbono até a metade do século.

Essa meta, nós a atingiremos por meio da descarbonização de nossa indústria e de nossos transportes. Desenvolvendo amplamente as energias renováveis. Renovando nossos edifícios. Abandonando definitivamente o carbono.

Mas ser responsável face à urgência da questão climática significa também comprometer-se com a solidariedade internacional.

Eu me recuso a aceitar a postura de “apontar o dedo” para os países que não dispõem dos meios necessários para a realização dessa transição, os quais já pagam, em sua maior parte, o preço imposto pela mudança climática.

Eu me recuso a aceitar a hipocrisia de estabelecer metas que não são acompanhadas dos meios necessários para atingi-las.

A transição ecológica será feita por meio da solidariedade que construiremos em nossos Estados e entre nossos Estados, principalmente no que se refere aos países mais vulneráveis.

E é por essa razão que os países desenvolvidos selaram um compromisso coletivo de angariar 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para a ação climática nos países em desenvolvimento.

Esse compromisso deve ser cumprido.

Quando a França tomou a frente da mobilização para a reposição do Fundo Verde, ninguém acreditava que a iniciativa seria bem sucedida. E, no entanto, graças ao comprometimento de todos, conseguimos arrecadar 10 bilhões de dólares. A França dobrou sua participação, tendo contribuído com 1,5 bilhão para o fundo.

Esse é um exemplo concreto de solidariedade e comprometimento.

***
Senhoras e Senhores, não há um planeta substituto.

O clima e a biodiversidade são nosso patrimônio comum.

Para conseguir protegê-lo, não podemos perder nem mais um segundo [«the clock is ticking»].

O presidente Emmanuel Macron fez em setembro um apelo junto às Nações Unidas. Um apelo para que “recuperemos a coragem”. 

Acredito que essa COP25 e o ano que se anuncia já possam ser provas de que ela está de volta.

Obrigada a todos./.

publié le 31/12/2019

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