Cúpula do G7 - Biarritz, 26/08/2019

Conferência de Imprensa conjunta sobre o clima, a biodiversidade e os oceanos.

Emmanuel MACRON
Senhoras e Senhores, excelentíssimo Sr. Presidente Piñera,
Muito obrigado por estarem aqui. Gostaríamos, junto com o Presidente do Chile, de apresentar a vocês os frutos de uma iniciativa que construímos conjuntamente nos últimos dias, como presidente e como país anfitrião da próxima COP no fim do ano, o Chile assumiu compromissos importantes no que se refere ao clima - e justamente ele faz parte da região convidada a este G7 - e a França, enquanto presidente do G7 este ano. De fato, diante dos incêndios que destroem a Amazônia, nós tínhamos a obrigação de reagir, o que fizemos desde o inicio do problema, por um motivo óbvio: a Amazônia é o pulmão do planeta e as consequências do que está acontecendo são absolutamente dramáticas.

O G7 se mobilizou rapidamente, promovendo discussões aprofundadas sobre o assunto, desde sábado à noite. Os incêndios estão atingindo diversos países, 9 ao todo, incluindo a França, que está na Amazônia; os incêndios se alastraram sobre uma área de 1,2 milhões de km2, ou seja, duas vezes a superfície da França metropolitana, o que evidentemente é dramático para os países atingidos, mas também para a humanidade como um todo.

Eu gostaria de retomar alguns números: a Amazônia armazena 14% do CO2 mundial, portanto a perda do maior pulmão do planeta é um problema mundial. Nenhum país pode dizer que é o único envolvido, ainda que a soberania de cada país tenha que ser respeitada. É impossível compensar o papel da Amazônia nessa questão, e não podemos esquecer - no que se refere à destruição das florestas - que ela devolve o carbono armazenado anteriormente, e isso significa que o que está acontecendo também tem consequências negativas nas emissões de CO2, de modo que sofremos duas vezes pelo mesmo problema.

Como eu estava dizendo, a França está sendo diretamente afetada por este drama, primeiro porque também somos um país amazônico, e sobre isso eu conversei diversas vezes com o Presidente (do Conselho Regional da Guiana) Rodolphe Alexandre, que está inteiramente implicado e envolvido nesta nossa iniciativa; em segundo lugar, nós ocupamos um lugar de destaque no que se refere à questão das mudanças climáticas. Ainda com o presidente chileno, como eu dizia, que foi convidado para o G7 e também é o presidente da próxima conferência do clima, nós decidimos mobilizar o G7 para dar uma resposta à esta crise.

O presidente vai apresentar em detalhes o plano que criamos, mas imediatamente nós proporemos aos países amazônicos, cujas necessidades nós conhecemos, uma ajuda financeira de pelo menos 20 milhões de dólares, além de apoios concretos. Como o que a França fará, com ajuda dos militares, na região, já nas próximas horas. Nos próximos meses, construiremos uma iniciativa para a Amazônia que será anunciada oficialmente na assembleia geral da Organização das Nações Unidas. Esta é uma iniciativa a ser conduzida em conjunto com todos os países da região. E tratará de questões centrais para o futuro da Amazônia, do reflorestamento dos territórios devastados, é claro, mas também de projetos concretos que deverão ocorrer em acordo com e para o bem das populações locais, para o desenvolvimento sustentável e para a agroecologia.

Teremos, portanto, que trabalhar com todos os países da região e com os Estados a nível federal, bem como com os atores locais e as populações indígenas. É esse trabalho que nos esforçaremos para concluir nas próximas semanas, de modo que essa aliança coletiva, essa iniciativa em prol da Amazônia possa ser inteiramente concluída nos próximos anos. Gostaria de acrescentar que estamos acompanhando com bastante atenção o que ocorre neste momento na África, e estamos discutindo o assunto com o presidente da União Africana e diversos outros países. A floresta também está em chamas na África, no Congo, e nós estamos analisando a possibilidade de lançar uma iniciativa similar no continente africano. Prezado Presidente Piñera, caro Sebastián.

Sebastian PIÑERA
Bom dia Emmanuel, muito obrigado.
A Amazônia cobre 7 milhões de quilômetros quadrados, o que representa mais de 50% das florestas tropicais do mundo. Ela armazena quase um quarto de todo o estoque de carbono da Terra e é um milagre da biodiversidade, um grande produtor de oxigênio. E é por isso que devemos proteger esta área que é o verdadeiro pulmão do nosso planeta. A Amazônia hoje está sendo castigada pelos incêndios e é por isso que, com o G7 e em colaboração com o Chile, montamos um plano que será implementado em duas etapas.

Primeiro temos uma etapa de emergência, temos que lutar contra esses incêndios que destroem hoje uma parte da floresta tropical da Amazônia. Para isso, estipulamos um orçamento de 20 milhões de euros (- Falamos em euros ou em dólares? - Eu acho que o Sr. disse euros, senhor presidente), sim, então eu estava aumentando, então serão 20 milhões de dólares para ajudar o Brasil, a Bolívia, o Peru e o Paraguai, todos países amazônicos, a lutar contra os incêndios nas florestas. Para isso, eles precisam urgentemente de brigadas de bombeiros e aviões cisterna, de combate a incêndio. Este será o primeiro passo a ser implementado imediatamente.

A segunda etapa que nós combinamos com os países amazônicos acontecerá no âmbito da Segunda Assembléia Geral das Nações Unidas, para que possamos colaborar com os países amazônicos, respeitando a soberania de cada um na implementação da segunda fase, que é da proteção das florestas, proteção da biodiversidade que elas abrigam e reflorestamento dessa área do mundo.
Esta segunda fase se tornará possivel por meio da colaboração entre os países amazônicos e os países do G7.

Nós temos a convicção de que precisamos proteger este pulmão do mundo. Por isso, estou muito satisfeito, conseguimos chegar ao acordo de nos unirmos imediatamente a esses países, e também de implementarmos uma estratégia de longo prazo, para a próxima Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

Participante não identificada
(Inaudível) da agência (inaudível). Eu gostaria de saber se o Chile - como país anfitrião da COP 25 e como país latino-americano - eu gostaria de saber se o G7 pediu ao Chile que desempenhasse um papel especial nos esforços referentes à Amazônia ou que fossem estabelecidas novas prioridades para a cúpula de dezembro.
E eu gostaria de saber como o Sr. interpreta a ausência de Donald Trump na sessão sobre a biodiversidade desta manhã. Ele deu alguma explicação ou houve algum progresso para que haja um G7 com um possível retorno dos Estados Unidos ao acordo de Paris?

Emmanuel MACRON
Vou responder essas duas perguntas. O presidente Piñera foi convidado justamente porque o Chile é um dos países democráticos mais importantes da região, e também pelo que ele representa no momento, tendo aceito a tarefa de organizar a próxima COP, pelo que agradeço.

De forma que ele está presente por dois motivos, e faz parte dos 4 principais países que foram convidados para a segunda parte deste G7. Neste aspecto, o presidente Piñera teve um papel fundamental na construção desta aliança amazônica, inclusive por ser uma das potências da região, no sentido amplo.

Em segundo lugar, porque ele está em contato com todos os Chefes de Estado e de Governo da região e nós conversamos muito, como eu disse sábado à noite, sobre este assunto. O consenso foi que entre os membros do G7 todos concordaram em se mobilizar, mas cada um queria que isso fosse feito em perfeita coordenação com todos os Estados da região. O Presidente Piñera assumiu o trabalho de definir as necessidades e dar garantias do compromisso político e do processo político que poderá permitir que esta inciativa seja formalizada em setembro.

Em relação a sua segunda pergunta, o presidente Trump teve varias reuniões bilaterais hoje de manhã com a chanceler Merkel e o primeiro-ministro Modi,por isso ele não estava na sala. Claro que sua equipe estava presente. Mas são várias coisas. Em primeiro lugar, no Acordo de Paris, a posição dele é clara, e sempre foi assim, desde o início. O objetivo da presidência francesa não era de convencê-lo. Esse foi um dos meus objetivos antes que ele decidisse sair, eu queria convencê-lo a não sair. Ele tomou a decisão porque havia prometido isso aos seus eleitores, e cumpriu seu compromisso. Acho que é importante não tentarmos mudar o que já passou, e em nenhum momento neste G7 tivemos a intenção de convencer os Estados Unidos a voltarem.

Apesar disso, tivemos uma conversa longa e bastante produtiva com o Presidente Trump sobre a situação na Amazônia. E ele compartilha os nossos objetivos, que se refletem nesta iniciativa. Este é o primeiro ponto.

Ele inclusive falou com o Presidente Bolsonaro por telefone, bem como vários outros presidentes da região, tanto sobre o apoio oferecido para apagar os incêndios, quanto sobre a ajuda para recriar a floresta, conversamos bastante. E ele se mostrou completamente engajado na questão no sábado à noite.

Este G7 nos permitiu progredir em várias questões muito concretas. Nós avançamos – e eu vou apresentar logo mais um relatório muito preciso, sobre o Fundo Clima, que é uma parte importante dos financiamentos que nós aportaremos paralelamente à cúpula das Nações Unidas em setembro, para que possamos financiar precisamente as transições necessárias à mobilização e à transição climática.

Pela primeira vez, com todos os países presentes - inclusive os países que não fazem parte do G7 – conversamos longamente, pois isso tudo é muito interessante para eles. Todos os países, incluindo o Chile, a Austrália, a Índia, e também a África do Sul, são signatarios do Acordo da Biodiversidade, o que é inédito. Este acordo foi construído, quero lembrar, há alguns meses, depois do relatório do IPBES, que foi o primeiro relatório feito por especialistas mundiais sobre a situação da biodiversidade no mundo, e representa o primeiro compromisso da comunidade internacional em termos de biodiversidade.

O que nós queremos agora é incluir no acordo da biodiversidade uma espécie de dinâmica como a que tivemos quando tratamos do aquecimento global. Teremos uma reunião com o Congresso da Natureza em Marselha, no próximo mês de junho. E no fim do ano que vem teremos a COP da Biodiversidade, presidida pela China. Neste aspecto, avançamos bastante. Além disso, durante essa cúpula, nós realmente criamos coalizões muito úteis entre diferentes atores.

Como vimos ainda a pouco nas apresentações, sobre a neutralização de carbono que apoiamos, junto com o Presidente Piñera, queremos expandí-la até a próxima COP, em que um numero cada vez maior de participantes está assumindo compromissos. A Índia, graças à visita de alguns dias atrás, se comprometeu com o carbono neutro para 2050. E isso fortalece os compromissos, tendo em vista a aplicação dos acordos de Paris.

Sobre este assunto, quero deixar claro que toda a comunidade internacional está avançando e confirmando os seus compromissos. Eu insisto neste assunto, podemos olhar para a grande potência que decidiu deixar o acordo de Paris. Lamento pelo esforço coletivo que conseguimos fazer neste aspecto durante as últimas semanas. A Rússia decidiu ratificar o acordo, algo de que não tínhamos garantia desde o início.

O Presidente Putin me confirmou isso há exatamente uma semana. A Índia se envolveu na coalizão do carbono, o que era muito pouco provável há poucas semanas. Temos portanto dois importantes países, cruciais para a transição climática, que firmaram compromissos importantes nas últimas semanas graças à nossa mobilização coletiva.

Quero lembrar que à margem das reuniões em Osaka, tivemos uma declaração muito importante da China, que pretende ir na mesma direção também. As coisas estão avançando. A coalizão do carbono neutro, a coalizão de diferentes atores - e sobre isso podemos conversar melhor um pouco mais tarde - a iniciativa amazônica, o acordo da biodiversidade. As coisas estão avançando, e não podemos atribuir a ausência do Presidente Trump a nenhum outro motivo além das reuniões bilaterais que ele tinha. Os Estados Unidos estão conosco, naturalmente, tanto na questão da biodiversidade quanto nas iniciativas pela Amazônia, e nós sabemos o que eles querem no acordo de Paris.

Sebastian PIÑERA
Quero enfatizar que estive em contato com muitos presidentes e líderes de países amazônicos, afim de implementar as iniciativas para ajudar a Amazônia lutando contra os incêndios, e para estruturar estratégias de longo prazo.

Em dezembro deste ano, receberemos no Chile o próximo (inaudível) muito importante e precisamos que os países participem com muita vontade e com compromissos mais ambiciosos.

Primeiro, temos que nos comprometer com a neutralização do carbono para 2050. Isto é imprescindível. O segundo objetivo (inaudível), os créditos de carbono nos permitirão usar ferramentas de mercado para reduzir mais efetivamente todas as emissões de gases de efeito estufa.

Em terceiro lugar, o oceano será parte integral de nossa estratégia contra as mudanças climáticas e o aquecimento global, pois não estamos protegendo os oceanos como deveríamos. Isso tem que ser feito, senão não haverá vida.

Outro objetivo é a proteção do Ártico e da Antártida, o Pólo Norte e o Pólo Sul.

Assim, vamos levar adiante esta batalha. Esses são os quatro objetivos que queremos alcançar na COP azul, que acontecerá no Chile em dezembro. E é claro que o Sr. Presidente Macron será bem-vindo.

Participante não identificado
Bom dia Sr. Presidente. Sou da revista Quotidien: a quem pertence a Amazônia? O presidente Bolsonaro diz que pertence a ele. O Sr. lhe respondeu, Sr. Macron, que por conta da Guiana, ela também lhe pertence, em parte, mas o que é que o Sr. pode fazer, concretamente, para apagar os incêndios e promover o reflorestamento, apesar da franca hostilidade do Brasil?

Sr. Macron, como o Sr. responde aos ataques pessoais que o Presidente Bolsonaro tem feito contra o Sr. ? E o Sr. parece ter nos reservado algumas surpresas. Ontem, houve a presença do Ministro de Relações Exteriores do Irã. Depois, ficamos sabendo que o chefe Rohani virá ao G7 de Biarritz. O Sr. confirma esta informação? E qual a mensagem que o Sr. Está enviando ao Presidente Bolsonaro, ao convidar o chefe Rohani?

Emmanuel MACRON
Raoni! Rohani também é um chefe, mas não é ele quem está aqui.

Participante não identificado
Me desculpe, é o iraniano.

Emmanuel MACRON
Você quer responder sobre a Amazônia?

Sebastian PIÑERA
É muito simples. São nove países amazônicos, incluindo a França. Portanto, nove países têm soberania sobre a região. E é uma imensa responsabilidade, mas ao mesmo tempo estamos perfeitamente conscientes de que a Amazônia é essencial para a saúde do hemisfério Norte e do planeta todo.

Então, em vez de nos enfrentarmos por essas questões, temos que colaborar, e é por isso que estamos muito felizes por, nesse caso, termos conseguido chegar a um acordo em que os países amazônicos, respeitando sua soberania, participarão desta iniciativa e vão colaborar na luta contra os incêndios florestais. Ao mesmo tempo, o Chile vai trabalhar com eles para implementar uma estratégia de médio e longo prazo, para proteger a floresta, a sua magnífica biodiversidade e, ao mesmo tempo, iniciar o reflorestamento.

Emmanuel MACRON
De suas três perguntas, repondo a primeira. A Amazônia é uma floresta dividida entre 9 Estados e, portanto, legalmente falando, cada Estado é soberano. Depois, cada Estado tem as suas próprias regras. Em alguns, as regiões têm um papel importante.

O ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, visitou o Brasil em julho. Ele se reuniu com vários governadores que também estão muito engajados neste assunto, e todo o povo, inclusive o exército brasileiro, sempre foi muito engajado na proteção da floresta, que é tão importante para o país.

Acho que também não podemos esquematizar o que seria a posição brasileira. Existe a soberania de cada país, que tem que ser respeitada na área de cada Estado, e cada parte tem que ser respeitada.

Como eu disse, precisamos fazer todo um trabalho de preparação, daqui até a Assembléia Geral das Nações Unidas. É uma iniciativa que permitirá o reflorestamento na Amazônia, de uma maneira que repeita a soberania de cada um, e, naturalmente, o papel de cada região.

No que se refere à França, a Guiana estará associada à iniciativa, assim como os estados brasileiros.Eu conversei sobre isso várias vezes como presidente regional da Guiana, Alexandre.

Há também o papel dos povos indígenas, que vivem e mantém essa floresta há milênios, e que não podemos excluir dessa transição e do papel indispensável que eles têm neste contexto.

Devemos, portanto, chegar a uma boa governança. A verdade é que várias associações, ONGs e diversos atores, tanto juridicos quanto internacionais, têm, há muitos anos, levantado a questão da possibilidade de que um estatuto internacional pudesse ser definido na Amazônia.

Este não é o contexto no qual nos situamos hoje, mas a questão é real. Se um Estado soberano assumir clara e concretamente medidas que obviamente se opõem ao interesse de todo o planeta, temos todo um trabalho legal e político a ser feito.

Mas eu acredito poder dizer que as conversas entre o Presidente Piñera e o Presidente Bolsonaro não foram neste sentido e eles devem ser respeitados, enquanto atores deste jogo.

Acho que isso está claro para ele. Em todo caso, quero continuar a ter esperança, e mesmo que não seja esse o caminho que estamos tomando hoje, é um assunto que permanece em aberto e é um tema que continuará a evoluir nos próximos meses e nos próximos anos, porque nos preocupamos com a natureza.

O desafio, em relação ao clima, é que nao podemos dizer – como eu mencionei no inicio da minha fala – que o problema não é meu, da mesma forma que aqueles que têm territorios em regiões glaciais, ou outros espaços que produzem um impacto no mundo todo, e isso ainda poderá ser definido. Mas este projeto nós realmente o construimos para que, por um lado, ele respeite a soberania de cada país, e por outro ele seja inclusivo para todos os atores da Amazônia.

Sobre as colocações do Sr. Bolsonaro e de seus ministros, não farei comentários. Eu respeito cada líder eleito por seu país, pois respeito todos os povos e países, acho isso muito importante. Agora, sou obrigado a constatar que tivemos, sem dúvida, três mal-entendidos com o presidente Bolsonaro.

A primeira vez que nós nos vimos, ele me disse, com a mão no coração: "vou fazer de tudo pelo reflorestamento e para manter o compromisso dos acordos de Paris, para podermos assinar o acordo do Mercosul". Quinze dias depois, ele fez o contrário, demitindo cientistas. Bom, isso parece indicar que ele não disse a verdade. Algumas semanas depois, ele teve um compromisso urgente no cabeleireiro, na hora que devia receber Ministro de Relações Exteriores francês.

Depois, ontem ele achou boa a ideia de que o seu ministro – isso não aconteceria na França, que um ministro da República insulte outros governantes, seja para me insultar pessoalmente ou para fazer colocações extraordinariamente desrespeitosas sobre minha esposa. O que é que eu posso dizer? É triste! É triste, mas é triste principalmente para ele e para os brasileiros.

Acho que as mulheres brasileiras provavelmente teriam vergonha de dizer uma coisa dessas de seu presidente. Acho que os brasileiros, que são um grande povo, devem sentir um pouco de vergonha desses comportamentos. E esperam que um presidente saiba se comportar diante dos outros. Como eu tenho muita amizade e respeito pelo povo brasileiro, espero que eles logo tenham um presidente que se comporte à altura do cargo.

Sobre o chefeRaoni, ele está na França a convite de organizações não governamentais e não a convite da presidência do G7 ou de qualquer outro país. Eu já me encontrei com ele, e se ele quiser me ver, estarei disponivel, mas ele não veio a convite da presidência francesa. Só isso.

Sebastian PIÑERA
Presidente Macron? Posso dizer uma coisa em espanhol?

Emmanuel MACRON
Sim, sim, claro que sim!

Sebastian PIÑERA
(Inaudível) feliz porque chegamos a um acordo com os países amazônicos : Brasil, Peru, Bolívia, Paraguai e todos os outros. Ao mesmo tempo, o grupo G7 - as sete economias mais industrializadas do mundo - trabalha com os países amazônicos para combater os incêndios florestais que afetam a Amazônia.

A Amazônia ocupa 7 milhões de quilômetros quadrados, o que representa 50% das florestas tropicais do mundo, que capturam 25% do carbono do planeta, o que é uma verdadeira fábrica de oxigênio. Portanto, cuidar dessa floresta, é uma responsabilidade dos países da Amazônia, mas também de todo o mundo.
Então, temos um plano em duas etapas. Em primeiro lugar, vamos prestar uma assistência urgente, para que todos os países envolvidos lutem de modo eficiente com as brigadas de incêndio e aviões especializados para apagar rapidamente os focos de fogo.

Em setembro, na Assembléia Geral das Nações Unidas, reuniremos os países amazônicos e os países do G7, com a colaboração do Chile, para montar o segundo estágio, ou seja, colaborar para melhor proteger as florestas tropicais da Amazônia, a sua biodiversidade e todo o processo de reflorestamento.
São questões sobre as quais colaboramos, sempre respeitando a soberania dos países amazônicos sobre seus territórios, questões nas quais colaboramos para cuidarmos juntos do nosso planeta.

Emmanuel MACRON
Muito obrigado, Sr. Presidente. Obrigado senhoras e senhores. Vamos continuar.

Sebastian PIÑERA
O Sr. está de acordo com o que eu disse?

Emmanuel MACRON
Concordo plenamente. Acabei de escutar.

publié le 15/10/2019

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