Entrega da « Ordre National du Mérite » a Silvio Queiroz, jornalista do Correio Braziliense, dia 2 de maio de 2017, Residência da França, Brasília

Senhoras e Senhores,
Caro Silvio Queiroz,

É um grande prazer vê-los reunidos aqui esta noite para a entrega da Ordem Nacional do Mérito a Silvio Queiroz.

Mas antes, eu gostaria de explicar brevemente aos nossos amigos brasileiros o que é a Ordem Nacional do Mérito. Ela foi criada em 1963 pelo General de Gaulle para homenagear os franceses merecedores de distinção, podendo também ser concedida a cidadãos estrangeiros que tenham exercido no mínimo 10 anos de atividades profissionais «e que tenham se destacado pelos seus méritos para com a França».

Cabe-me então, caro Silvio, fazer uma breve retrospectiva da sua trajetória profissional e dos seus méritos no que diz respeito à França e, ouso acrescentar, relativos também à sua pátria, o Brasil.

Nascido em São Paulo, nos anos 1960, o Senhor inicia seus estudos em jornalismo no começo dos anos 1980, em um momento em que os militares ainda não haviam entregado o poder aos civis e que a vocação de jornalista era em si um combate pela verdade e pela democracia. O Senhor se forma em 1985, na prestigiosa Cásper Líbero de São Paulo, faculdade que forma os melhores jornalistas brasileiros há décadas e que eu tive a oportunidade de visitar no começo deste ano.

O senhor inicia sua carreira de jornalista logo em seguida, optando dedicar-se à cobertura da atualidade internacional, assunto pelo qual continua tendo preferência até hoje. Foi uma escolha pioneira, pois na época, a atualidade internacional ainda não tinha muito espaço nos jornais diários brasileiros. Durante a sua carreira, o senhor teve a chance de trabalhar nos maiores veículos da imprensa nacional: o antigo Jornal da tarde, o hebdomadário Veja e O Estado de São Paulo.

Outra realização de sorte, ou talvez tenha sido puramente o destino, foi sua ida a Berlim no outono de 1989, para cobrir como enviado especial a queda do Muro de Berlim, época abençoada na qual nós podíamos acreditar inocentemente, mas sinceramente, que o modelo democrático havia triunfado de forma definitiva sobre o autoritarismo.

A partir de 2004, o senhor se instala aqui em Brasília e fica encarregado do caderno internacional do Correio Braziliense, jornal que, a exemplo do Washington Post, é tanto local quanto federal. Já faz aproximadamente 14 anos que o senhor garante uma cobertura minuciosa da atualidade internacional no Correio braziliense, tendo acompanhado nos anos 2000 a ascensão da diplomacia brasileira. Além disso, publica, há vários anos, todos os sábados, uma crônica analisando a situação mundial e seus sobressaltos.

É em razão dessa trajetória formidável que a França tem o orgulho de condecorá-lo esta noite. Para homenagear uma carreira marcada por um conhecimento real e profundo das questões internacionais, uma forte ética jornalística, uma grande modéstia e uma vontade de formar jovens jornalistas que puderam trabalhar sob a sua supervisão durante os seus 30 anos de carreira.

Mas é também e sobretudo « pelos seus méritos para com a França » que a República Francesa queria agradecer-lhe. Quando digo mérito, não me refiro, ou pelo menos não somente, ao seu gosto pelos vinhos da Borgonha. Seus méritos consistem no seu domínio do francês, sua paixão pela França, seu interesse sempre objetivo pelo nosso país e as posições que ele defende no cenário internacional. O seu mérito é também o de ter se tornado ao longo dos anos um verdadeiro parceiro desta embaixada.

Uma parceria marcada por acontecimentos importantes, como a viagem de estudo de jornalistas brasileiros na França em 2011, e a sua participação, a nosso pedido, como moderador de uma mesa redonda sobre a questão da reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas que reuniu especialistas franceses e brasileiros em 2015. Um parceiro frequente, pois compartilhou com os novos embaixadores da França em Brasília, inclusive comigo, sua análise da situação internacional do Brasil; um parceiro cotidiano, pois explica com pedagogia aos leitores do Correio braziliense as posições da diplomacia francesa e as vicissitudes de nossa vida política.

Através do senhor, é também o Correio braziliense e seus jornalistas – entre os quais vários são francófonos - que a Embaixada da França quis prestigiar. Um jornal que desde a fundação de Brasília informa os brasilienses e interpela os locatários do Planalto, da Esplanada, do Congresso e do Palácio do Buriti.

Sua condecoração é também uma homenagem da França à profissão de jornalista: um trabalho nobre e indispensável ao funcionamento correto de qualquer democracia digna desse nome, mas que também é difícil, especialmente neste momento de dificuldades econômicas e de adaptação às novas tecnologias.

Para concluir, eu gostaria de dirigir-me à sua mãe e à sua filha aqui presentes, e assegurá-las de que têm toda a razão de terem orgulho desse filho e desse pai, assim como me orgulho e tenho grande satisfação de poder afirmar calorosamente esta noite que Silvio Queiroz é um amigo da França.

publié le 03/05/2017

haut de la page