Faculdade Casper Libero - 17 de fevereiro de 2017

Prezado Diretor (Carlos Roberto da Costa)
Prezado vice-diretor (Antonio Roberto Chiachiri Filho)
Caros Professores,
Caros estudantes,

Gostaria de agradecer-lhes pelo convite. Para mim, é uma honra ser recebido na Faculdade Casper Libero, a mais antiga e prestigiosa escola de jornalismo do país.
Nesta ocasião, gostaria de fazer uma rápida apresentação da relação entre o Brasil e a França.

Depois, vocês podem ficar a vontade para fazer as perguntas que quiserem.

1. Já é a terceira experiência como Embaixador, e, para mim, a especificidade da cooperação franco-brasileira vem de uma relação longa e intensa de admiração recíproca e de interesse mútuo.

Eu gosto de dizer que a França ama tanto o Brasil que tentou colonizá-lo duas vezes. Dois grandes projetos de estabelecimento no Brasil nasceram desta ambição: a “França Antártica” de Villegaignon no Rio e a “França Equinocial” em São Luís do Maranhão. Ambos os projetos fracassaram maravilhosamente. Mas o que a França não conseguiu com as armas, gostamos de pensar que a França o fez com o coração, com suas ideias, e sua cultura.

A influência francesa se espalhou então no campo das ideias e no ramo cultural com, por exemplo, a chegada da Missão Artística Francesa em 1816, e a presença de grandes artistas como Debret ou Taunay. A França também foi um dos primeiros países a reconhecer o Brasil independente e assim concluir um tratado de amizade em 1826. 

Devemos relembrar também que a Revolução francesa e suas ideias atravessaram o Oceano Atlântico.

Tambem, O Positivismo de Auguste Comte (cujo lema "Ordre et Progrès" foi imortalizado na bandeira brasileira) influenciou muito o movimento intelectual que deu origem à criação da primeira República no Brasil em 1889.

E no século XX, os intelectuais franceses como o sociólogo Roger Bastide, o antropólogo Levi-Strauss e o historiador Fernand Braudel tiveram um papel fundamental na criação da Universidade de São Paulo. 

2. A relação entre a França e o Brasil, rica deste passado, é hoje mais do que nunca voltada ao futuro. Vou citar alguns exemplos :

Na área política, a relação se firmou em uma parceria estratégica densa, ilustrada por acordos militares e tecnológicos.

Temos também uma cooperação frutuosa em vários temas globais fundamentais como por exemplo a saúde (UNITAID) e o meio ambiente. Aproveito para destacar o papel fundamental do Brasil na negociação na COP 21 de Paris – e parabenizar o Brasil, que foi um dos primeiros países a ratificar o Acordo de Paris.

Em alguns semanas, esperamos que a ponte sobre o Oyapock – que já está pronta – será aberta ao público, ligando por meio rodoviário o Brasil à Guiana francesa e desta forma, irá facilitar os intercâmbios entre a França e o estado do Amapá.

Na área econômica, a França é o 10° (décimo) fornecedor do Brasil e o seu 21° (vigésimo-primeiro) cliente. As trocas comerciais entre os nossos países tiveram uma progressão de 5% por ano nos últimos dez anos, valor duas vezes mais alto do que o valor do comercio exterior francês com o resto do mundo.

Apesar da crise, em 2015, o Brasil continua sendo o segundo destino dos investimentos franceses nos países emergentes. E a França ocupava a 5ª posição entre os países que mais promoveram investimentos diretos no Brasil, com US$ 2 800 milhões, e um stock total de inversões de US$ 37 000 milhões.

Nossas empresas estão implantadas no Brasil há décadas, para algumas, há um século, e hoje mais de 850 filiais de empresas francesas, empregando mais de 500.000 brasileiros, estão presentes no Brasil.

O campo cultural também aponta para uma verdadeira cumplicidade entre o Brasil e a França. A recepção reservada às exposições francesas, patrimoniais ou de arte contemporânea, é frequentemente entusiasta.

Em 2016, o recente festival FranceDanse, trouxe ao Brasil 16 companhias de dança contemporâneas francesas, em parceria com um grande número de agentes culturais brasileiros, como a Funarte, o Ministério da Cultura e a prefeitura de São Paulo, entre outros.

Nas áreas da música, do cinema ou da literatura, os artistas manifestam uma paixão recíproca e verdadeira.

Gostamos do Brasil e de sua cultura e temos a impressão de que o Brasil não tem nada contra a França, percebemos isso todos os dias ao ver que nas quarenta (40) Alianças francesas presentes no Brasil, cerca de quarenta mil (40 000) Brasileiros estudam o francês e a cultura francesa, assim como nos três (3) colégios franco-brasileiros em Brasília, Rio e São Paulo que contam com dois mil três centos (2300) alunos.

Na área da pesquisa universitária, a cooperação é também intensa. Três centros de pesquisa franceses estão implantados no Brasil :

- O Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD) envolvido em mais de 40 projetos em 2016. Quinze pesquisadores e técnicos franceses estão trabalhando hoje em instituições brasileiras na área do desenvolvimento.

- O Centro de cooperação internacional em pesquisa agronômica pelo desenvolvimento (CIRAD) marca presença no Brasil com 25 científicos, fazendo trabalhos de pesquisa em parceria com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), com grandes universidades, com outros centros de pesquisa especializados e com empresas privadas.

- O Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), o mais importante organismo de pesquisa francês, que abriu um escritório no Brasil em 2010. O objetivo deste “mastodonte” da pesquisa europeia e mundial é de estabelecer parcerias de pesquisa científica com os organismos de pesquisa brasileiros.

E, como eu estou falando aqui com estudantes, não posso esquecer-me de falar sobre o dinamismo da mobilidade estudantil, e convidá-los para estudar na França.

A França tem um ensino superior de excelência aberto para os estudantes brasileiros. Cada ano, quase quatro mil (4.000) estudantes brasileiros escolhem a França.

A oferta francesa no ensino superior é de alto padrão, com formações de qualidade em todos os níveis e todas as disciplinas em 3 500 universidades públicas e privadas. Este ambiente é fortemente internacionalizado, 42 % dos doutorados na França são seguido por estudantes estrangeiros. França é o 3º país que mais recebe estudantes internacionais, depois dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Não vou insistir, mas na França vocês irão desfrutar também de uma qualidade de vida incomparável, com infraestruturas eficientes assim como do nosso «art de vivre». A língua francesa também é um grande atrativo, já que é um idioma internacional presente nos cinco continentes e a 5ª (quinta) língua mais falada do mundo com 274 milhões de locutores. O francês é, depois do inglês, o idioma mais ensinado ao mundo. Para o Brasileiro, estudar na França também significa ter acesso as 850 empresas francesas presente no Brasil. Assim, o francês é a língua da História e da Cultura e também uma língua de trabalho.

E como o excelente é ainda melhor quando não custa muito, os estudos na França são em grande parte financiados pelo governo francês, para estudantes franceses e estudantes internacionais. Existem também programas de bolsas e benefícios, como a possibilidade de trabalhar até meio-período.

Em Breve, Vôces serão muito bem-vindos !

3. Para concluir, quero lembrar que temos o sonho de receber as Olímpiadas na nossa capital Paris no ano 2024. A nossa candidatura tem vários diferenciais: as nossas infraestruturas, a nossa capacidade comprovada em organizar grandes eventos, assim como o talento e a criatividade francesa.

Queremos organizar também a Copa do Mundo de Rugby em 2023, e esperamos organizar a exposição universal em 2025. As lições da experiência deixada pelo Brasil em 2014 e 2016 serão importantíssimas.

A história e a geografia uniram a França e o Brasil para sempre. Esses vínculos e a proximidade entre nossos povos fazem do Brasil o principal parceiro da França no continente. E espero que isso continue durante as próximas décadas.

Por hora, me coloco à disposição para responder às suas perguntas./.

publié le 24/02/2017

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