França e Brasil unidos na prevenção da delinquência juvenil

Fotos: Secriança

Olhares conectados e unidos na luta contra a deliquência juvenil, a partir da formação dos socioeducadores. Esse é o sentimento geral ao final do Seminário "Adolescentes em Conflito com a Lei: Por Uma Formação Especializada de Socioeducadores e Travailleurs Sociaux - Olhares Cruzados França-Brasil".

Realizado de 11 a 14 de setembro, na Embaixada da França, o evento foi aberto em presença da diretora-geral da Proteção Judiciária da França (PJJ), Madeleine Mathieu, e do Secretário de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude do DF, Aurélio Araújo, com a apresentação da orquestra Plena Harmonia.

Organizado pela Secretaria de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude (Secriança), em parceria com a Embaixada da França no Brasil e a Universidade de Brasília (UnB), o encontro teve por objetivo lançar as bases de uma cooperação técnica entre os dois países para uma formação especializada dos servidores do Sistema Socioeducativo do Distrito Federal.

“O seminário termina com nossos olhares, mais que cruzados, agora conectados em uma intenção objetiva - a Escola Distrital em Socioeducação”, afirmou a primeira-dama do Distro Federal, Márcia Rollemberg. “A França é uma referência na área e a nossa rede sai enriquecida e prestigiada pela oportunidade. Fico muito feliz com o apoio recebido!”.

Durante os quatro dias, os participantes debateram sobre a realidade dos sistemas socioeducativos francês e brasileiro: as escolas de formação, o sistema de Justiça para adolescentes infratores, as medidas socieducativas, a formação de identidade do agente socioeducativo, as políticas integradas de prevenção à delinquência juvenil, entre outros.

Para o agente socioeducativo Igor Lopes, a oportunidade foi um apoio essencial. “Ver que a demanda de adolescentes não diminui, que são poucos os que saem da criminalidade, é triste. A gente vive sob pressão 24 horas, fazendo trabalho de formiguinha... O investimento em nossa formação nos ajuda no trabalho de recuperação deles”. O servidor da secrétaria Gilson Martins Braga lembrou que a França tem mais de 50 anos de atuação na área, sendo, para ele, “um parâmetro” na construção da identidade do trabalho que está sendo desenvolvido no DF.

SEMENTE

A professora Fátima Sudbrack, da Universidade de Brasília (UnB), disse que uma semente importante foi plantada, destacando ainda o protagonismo da Embaixada da França como anfitriã do encontro. “A Embaixada fez uma mediação de grande relevância social e acadêmica. Ela foi protagonista na articulação da universidade com a política local.”

Para o subsecretário do Sistema Educativo, Paulo Távora, o seminário foi “um momento de alegria para os servidores presentes, especialmente por serem eles que estão nas unidades de internação, que fazem o sistema funcionar!” . “Foi o momento de refletirmos sobre o caminho que queremos chegar”, disse o coordenador nacional da Escola Nacional de Socioeducação (Sinase), Ricardo Peres.

Para a vice-diretora da Escola Nacional de Proteção Judiciária da Juventude da França (ENPJJ), Anne Devreese, que falou do processo de formação dos socioeducadores e trabalhadores sociais no sistema francês, confrontar os pontos de vista de cada país foi importante. “São modelos são bastante diferentes. Foi uma honra vê-los interessados nos métodos do nosso projeto”, declarou. “O nível do encontro foi muito elevado! Saio feliz de contribuir com esse intercâmbio e de ajudar na criação da escola”, acrescentou o corregedor francês de Justiça Yves Roux, responsável por apresentar as medidas socioeducativas de seu país.

CONTINUIDADE

De acordo com o magistrado de ligação Jean-Philippe Rivaud, o evento foi um primeiro passo. “A parceria entre a França e o Brasil é um dos eixos prioritários da cooperação da Embaixada da França na área da Justiça para os anos 2018 e 2019, devendo se concretizar com a assinatura de uma convenção de cooperação até o fim de 2017”. O documento tornará possível a realização de intercâmbios como viagens de estudos para autoridades brasileiras na França e um programa de formação oferecidos por representantes da PJJ em Brasília.

publié le 19/09/2017

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