Inverno abre a “estação das despedidas” na Embaixada da França

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Anualmente, a chegada do inverno coincide, na Embaixada da França, com a “estação das despedidas”. Desde junho, cerca de 20 diplomatas, incluindo o embaixador, e oficiais de chancelaria vêm fazendo as malas para retornar à França ou assumir postos em outros países. Esse ciclo de fim de missão que acontece até agosto é um dos momentos mais emocionantes na embaixada. Em cada encontro pelos corredores, em cada almoço e festa de despedida, predomina o sentimento que a língua portuguesa traduz com perfeição: “saudade”.

“Gostaríamos infelizmente de nos despedir. Quando o dever nos chama, temos que ir. Reafirmo o desejo da França de ver cada vez mais estudantes, empresários e turistas brasileiros vindo descobrir o nosso país, o qual sempre os acolherá com braços abertos”, declarou o então embaixador Laurent Bili ao anunciar sua partida do Brasil aos convidados da festa nacional do 14 de Julho. Já em Paris, ele comanda agora a Direção-Geral da Modernização, Cultura, Educação e Desenvolvimento Internacional do Ministério francês das Relações Exteriores.

Às vésperas de deixar Brasília para assumir um novo posto na Hungria, a gestora de Recursos Humanos Adriana Obreja vive uma mistura de emoções. “Ontem eu retirei todas as minhas fotografias e desenhos da minha sala... É triste...Eu me sinto nostálgica e rica de experiências, graças aos colegas com quem tanto aprendi”, conta. Casada com o conselheiro de Imprensa da embaixada, Thibaut Lespagnol, ela reconhece a sorte de ter podido estar com o marido na mesma representação diplomática nesses últimos quatro anos. “Brasília é uma cidade ideal para uma família com crianças. Como diz minha filha Anya, vamos sentir falta da sua tranquilidade”.
Em meio ainda à rotina dos últimos dias de trabalho, o conselheiro sente a saudade chegar, quando se pega pensando: “Estou fazendo/vendo isto ou aquilo pela última vez...”. Thibaut mergulhou na vida da capital federal, onde também foi diplomata de intercâmbio, por um ano, no Itamaraty. “O que levo de Brasília é a intensidade das suas cores: o vermelho da terra, o azul do céu, o verde por toda parte. Do lado humano, o bom humor quase constante dos brasileiros foi o mais marcante!”, ressalta, acresentando estar, ao mesmo tempo, “inquieto e entusiasmado” com as novas responsabilidades e a vida em Budapeste.

Para muitos, a vinda para a embaixada é a primeira experiência profissional, um momento marcante especialmente quando ocorre no exterior, como foi caso de Audrey Blanguernon. Durante os dois últimos anos, ela foi adida de comunicação no Serviço de Imprensa. “Conhecer o funcionamento da embaixada, seu papel, missões, ações foi muito interessante!”. Além do trabalho, ela viveu uma imersão que faz com que não tenha dúvida de que se trata de um “até logo” e não um “adeus”. “Há muitos franceses que voltam em outra missão. Espero que seja assim também comigo!”

Foi o que ocorreu com a secretária de direção do Serviço Econômico Regional, Monique Bedoussac, que termina este mês sua 2ª missão no País. “É um momento de muita emoção! Desta vez, é uma partida definitiva para uma nova vida como aposentada... Estive aqui de 2003 a 2007 e de 2012 até 2017... O Brasil é um país que eu amo: as pessoas, a cultura, o idioma, tudo! A cada vez foi uma alegria reencontrar os amigos que deixei. Tive sempre a sensação de voltar pra casa”.

Encontros e Despedidas

Se partir não é fácil, ver chefes e colegas de trabalho indo e vindo não é menos dasafiador. Até a chegada dos novos colegas em setembro, salas vazias ressaltam a sensação de vazio. Para os funcionários locais, essa dinâmica faz a embaixada mais parecer uma estação de trem em que, como canta Milton Nascimento, “a hora do encontro é também despedida”.

Há 39 anos como técnico cultural da embaixada, Marcelo Faria de Paiva diz que já se acostumou à dinâmica e que a renovação é positiva, quando a adaptação não acontece. Em regra, porém, ele ainda se emociona com as mudanças. “Quando a gente gosta de trabalhar com uma pessoa, não gostaria que o ciclo se acabasse tão rápido e que ela pudesse continuar por mais tempo”, diz.

Assistente do conselheiro de imprensa, Fernanda Vitas-Reguera está há 29 anos na embaixada da França vivendo esse ciclo de mutações. “É uma experiência fantástica culturalmente e emocionalmente falando”, destaca. “É sempre difícil se despedir de pessoas que ocuparam por um certo momento, talvez por dois ou quatro anos, um lugar importante e expressivo em sua vida. Apesar de ficar uma amizade, as lembranças, a saudade vão permanecer para sempre! O tempo vai passando e aos poucos a gente entende que a vida tem que continuar, a gente tem que continuar...Talvez para mim, isso seja uns dos fatores mais tristes, mas prefiro pensar que algum dia, e como acontece para muitos que já se foram, o tempo vai trazê-los de volta e a alegria de reencontrá-los será maior ainda! A bientôt então!!”.

Sarah Nascimento Viana
Assessora de Imprensa

publié le 04/08/2017

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