Mulheres e Diplomacia - 08 de março de 2018

Caras Embaixadoras, Caras diplomatas,

É um grande prazer recebê-las na Residência da França nesta Jornada Internacional dos Direitos das Mulheres, para participar do debate sobre o tema mulheres e diplomacia, que traz diversas interrogações a respeito do modelo tradicional do Ministério da Europa e dos Assuntos Exteriores francês, que parecia até recentemente ser fundado naquele do diplomata homem acompanhado de sua esposa, que se encarregava das questões logísticas. De fato, nosso Ministério foi durante muito tempo um dos mais resistentes à feminização desta profissão.

Desde a nomeação da primeira embaixadora em 1972, para servir no Panamá, o Ministério da Europa e dos Assuntos Exteriores evoluiu muito. Tanto ele quanto a França, na sua globalidade, empenharam-se em uma política ativa de promoção da paridade baseada na conclusão de que o mérito por si só não era suficiente para ultrapassar esse teto de vidro que impede a ascensão das mulheres a cargos de responsabilidade. Essa política já está começando a colher seus frutos, como ilustra a porcentagem de mulheres embaixadoras em 2017, que foi de 25%, enquanto em 2012 esse número era de apenas 11%. É preciso, no entanto, ir mais além, e dedicar-se especialmente à luta contra os estereótipos profundamente enraizados e as resistências socioculturais, pois como afirmava, e não sem ironia, a jornalista e política Françoise Giroud “Homens e mulheres só estarão realmente em pé de igualdade no dia em que uma mulher incompetente for designada para um cargo importante”.

A igualdade entre homens e mulheres e a luta contra todas as formas de discriminação constituem igualmente temas sobre os quais o nosso Ministério, que coloca a defesa dos direitos dos homens e das mulheres no centro de sua política externa, exige exemplaridade de si mesmo. A França preza especialmente por eliminar todas as formas de violência contra meninas e mulheres, tema este que amanhã será objeto de outro debate na embaixada, em parceria com a UE e a ENAP.

Essa mobilização tem uma importância ainda maior nos dias de hoje, pois verificamos uma escalada de conservadorismos no mundo todo, com direitos fundamentais sendo colocados em questão. Um século após a criação dessa Jornada dos Direitos das Mulheres em Copenhague em 1910, temos que reconhecer que, embora muitos progressos tenham sido realizados, a igualdade entre os sexos ainda necessita de mais engajamento.

Foi por essa razão que o presidente Macron se comprometeu a fazer da igualdade entre mulheres e homens « a grande causa do seu quinquênio ». Sob sua égide, nosso ministro, Jean-Yves Le Drian, lançou hoje a nova estratégia internacional da França nessa matéria, que erige a igualdade entre os gêneros em princípio norteador e transversal de toda nossa política externa, em suas vertentes política, econômica, cultural e de desenvolvimento.

Tenho certeza de que os relatos e as boas práticas que serão compartilhados hoje serão de grande utilidade para esse compromisso pela igualdade.

Desejo-lhes ótimas trocas e agradeço a todas pela atenção./.

publié le 12/03/2018

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