O Brasil e a França

Embaixadora da França no Brasil:

Sra Brigitte COLLET

Embaixador do Brasil na França:

M. Luis Fernando Serra (desde julho de 2019).

Relações políticas

O Brasil e a França têm uma relação de amizade de longa data, que ganhou nova escala nos últimos anos, com a criação de uma parceria estratégica ambiciosa lançada em maio de 2006 pelos presidentes Lula e Chirac. Nesta parceria o Brasil é reconhecido como um ator global e um candidato legítimo a ocupar um assento permanente junto ao Conselho de Segurança da ONU. Ela possibilita a troca de know-how e expertise por meio de iniciativas conjuntas, baseadas no compartilhamento de recursos materiais, tecnológicos, humanos ou naturais. Esse trabalho conjunto abrange todas as áreas - militar, espacial, energética, econômica, educativa e transfronteiriça (com uma importante cooperação entre a Guiana Francesa e o Amapá), compreendendo inclusive a ajuda ao desenvolvimento em países terceiros.

Em agosto de 2019, após os incêndios ocorridos na Amazônia, o presidente da República procurou mobilizar a comunidade internacional no âmbito da reunião do G7 em Biarritz, a fim de ajudar os Estados afetados. O Brasil recusou a colaboração da França e do G7 por considerar que a mesma colocava em questão sua soberania sobre seu território amazônico. A ajuda da França e da comunidade internacional se concentrou assim no Paraguai e na Bolívia.

Presença francesa

Consulados da França: São Paulo, Rio de Janeiro, Recife
Comunidade francesa no Brasil: 19.942 inscritos no Registro dos Franceses Estabelecidos Fora da França; aproximadamente 30.000 franceses residem no país de acordo com a Polícia Federal.

Visitas

Entre os últimos encontros, destacam-se:
- visita a Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro de François Fillon, Primeiro-ministro, de 14 a 17 de dezembro de 2011;
- visita de Estado da presidente Dilma Rousseff a França, de 11 a 12 de dezembro de 2012 ;
- a visita de Estado do presidente François Hollande ao Brasil, nos dias 12 e 13 de dezembro de 2013;
- visita a Brasília de Laurent Fabius, ministro dos Assuntos Exteriores, em 22 de novembro de 2015;
- visita a Paris de José Serra, ministro das Relações Exteriores, em 2 de junho de 2016 ;
- visita ao Rio de Janeiro do presidente François Hollande para a abertura dos Jogos Olímpicos nos dias 4 e 5 de agosto de 2016;
- visita a Paris de Aloysio Nunes, ministro das Relações Exteriores, em 28 de agosto de 2017;
- visita a Paris de Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, em 24 de maio de 2019
- visita a Paris do ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, nos dias 5 e 6 de junho de 2019 ;
- encontro entre o presidente da República Emmanuel Macron e o presidente Bolsonaro em Osaka, em 28 de junho de 2019 ;
- visita a Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo do ministro da Europa e dos Assuntos Exteriores, Jean-Yves le Drian, de 28 a 30 de julho de 2019, durante a qual se reuniu com o ministro das Relações Exteriores brasileiro Ernesto Araújo.

Relações econômicas

Exportações da França para o Brasil (2018): 4,51 bilhões EUR (+8 %) - o Brasil ocupa o 21º lugar entre os clientes da França

Exportações do Brasil para a França (2018): 3 bilhões EUR (2%) - o Brasil ocupa o 31º lugar entre os fornecedores da França

Saldo da balança comercial (2018): 1,5 bilhões EUR (+24 %) - 11º maior excedente comercial da França no mundo

A dinâmica das relações econômicas fundamenta-se tanto no comércio quanto no investimento em um país que, para as empresas francesas, não é mais um simples mercado, e sim, um elemento de sua estratégia global de desenvolvimento. Encontram-se instaladas no Brasil aproximadamente 900 filiais de empresas francesas (quase todo o CAC 40), as quais são responsáveis pela criação de 500 mil empregos. A França se encontra no pelotão de liderança dos países que mais investem no Brasil, com um estoque de IED de 23,658 bilhões de euros em 2018. Essa quantia cresceu ainda mais em 2019, principalmente após a compra de uma rede de gasoduto no Nordeste (7,7 bilhões de euros) por um consórcio liderado pela Engie. Ainda que o comércio bilateral tenha sido afetado pela recessão, ele permanece dinâmico e gera grandes excedentes para a França.

Na ficha "Indicadores Econômicos Brasil", criada como suporte às empresas francesas, você poderá consultar os principais números de nossas trocas comerciais.

Cooperação cultural, científica e técnica

Com uma francofilia viva e uma diversidade cultural que compõe sua identidade nacional, o Brasil desenvolveu com a França uma relação amparada em uma base de cooperação especialmente sólida e diversificada :

- o Brasil é o parceiro de cooperação científica mais importante da França na América Latina, sendo dada especial atenção à pesquisa e à inovação tecnológica (a França é o terceiro maior parceiro científico do Brasil). A cooperação científica estrutura-se em torno de formações de ponta e parcerias de alto nível entre organismos de pesquisa dos dois países. Essas parcerias abrangem em especial áreas como a da matemática fundamental e aplicada, das mudanças climáticas e das ciências sociais e humanas. Os programas dedicados às tecnologias inovadoras vêm tendo desenvolvimento significativo, com destaque para o programa CAPES-COFECUB, uma parceria equilibrada e de grande qualidade científica que permitiu formar cerca de 2000 doutores brasileiros desde o seu lançamento, em 1978;

- a França continua sendo o primeiro parceiro europeu do Brasil em matéria universitária. Desde os anos 1930, Fernand Braudel, Claude Lévi-Strauss e Roger Bastide, por exemplo, se empenharam em tecer os laços universitários fortes que existem entre a França e o Brasil, participando da fundação da Universidade de São Paulo – atualmente, a melhor universidade da América Latina.

- o ENA cultiva uma parceria histórica com a ENAP (Escola Nacional de Administração Pública brasileira) na formação de altos funcionários públicos, que foi intensificada e enriquecida com novas possibilidades de intercâmbio em 2016;

- a ação em favor do francês e dos intercâmbios culturais também ocupa um lugar importante na nossa cooperação. Três liceus franceses (São Paulo, Rio, Brasília) reúnem, no total, mais de 2500 alunos, dentre os quais cerca de 1500 são franceses. As Alianças Francesas do Brasil representam a rede mais antiga e densa do mundo (37 associações e 63 unidades), acolhendo 24.000 alunos. No campo editorial, as relações entre editores e escritores dos dois países são estreitas (o Brasil é o primeiro mercado para livros franceses na América do Sul).

- O tratado franco-alemão de Aix-la-Chapelle de 22 de janeiro de 2019 prevê a implantação de um centro cultural franco-alemão no Rio de Janeiro nas instalações da Maison de France.

Outros tipos de cooperação

A cooperação descentralizada foi oficializada pela assinatura de um protocolo na Guiana Francesa em 12 de fevereiro de 2008. Ela foi impulsionada de forma contínua até 2011, tendo desde então sofrido um forte retrocesso. A cooperação conta hoje com a participação de cerca de dez coletividades territoriais francesas.

A cooperação transfronteiriça é uma particularidade da nossa relação, uma vez que a França compartilha mais de 700 km de fronteira com o Brasil. A construção da ponte do Oiapoque, símbolo dessa parceria, é acompanhada de uma cooperação crescente nos âmbitos da saúde, educação e desenvolvimento sustentável, com a participação da AFD. Esta cooperação permite trazer respostas às preocupações de ambas as partes sobre os riscos transfronteiriços (imigração clandestina, segurança, garimpo e pesca ilegais, questões sanitárias e fitossanitárias); encorajar as trocas humanas e comerciais (educação, circulação); e desenvolver a economia da região amazônica, respeitando as populações locais e seu meio ambiente excepcional.

publié le 15/06/2020

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