Projeto de cooperação técnica sobre as cesarianas no Brasil, uma temática de saúde publica

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Recentemente no Brasil o número de cesariana ultrapassou o número de partos normais e atingiu a taxa recorde de 55,7% em 2018, uma das mais elevadas do mundo. A título de comparação, a taxa de cesariana na França é de 20%, sendo que a mesma não deveria ser superior a 15%, de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde.

Embora esta técnica seja muito segura para o feto, ela significa complicações importantes para a mãe (multiplica-se por três o risco de morte materna, riscos anestésicos, cirúrgico, infecciosos).

A mortalidade materna no Brasil é muito elevada. Há uma década estava estabilizada em 60/100 000, recentemente teve um leve aumento. Passou para 64/100 000 (6,4 vezes superior à taxa na França e dos países vizinhos: 10/100 000). De acordo com a missão da auditoria franco-brasileira, podemos verificar um aumento da taxa de cesariana de 55 para 75% , o que aumenta o risco de morte materna que passa de 64 para 78/100 000. O risco de aumento da mortalidade materna aumenta toda vez que o Brasil facilita o aceso à cesariana, principalmente nos estabelecimentos públicos de saúde. Uma redução da cesariana em 20% diminuiria este risco de 65 a 50/100 000.

Um projeto de cooperação nesta área foi proposto pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com o Ministério da saúde brasileiro e com o Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia.

Uma missão foi realizada em setembro último para avaliar as oportunidades de cooperação técnica neste setor com a vinda de dois professores ginecologistas obstétricos, Srs. Philippe Descamps e Damien Subtil, respetivamente dos Centros Hospitalares Universitários de Angers e Lille. Esta primeira missão permitiu identificar vários fatores que explicam o aumento da cesariana no Brasil (dores durante o parto normal, organização dos cuidados, diminuição progressiva da competência para realização de partos normais).

Isto poderia diminuir se as mulheres parturientes tivessem aceso à analgesia peridural, através da anestesia obstétrica, aumento dos anestesistas nos estabelecimentos de saúde, sensibilização dos anestesistas, aumento do número de enfermeiras obstétricas e uma campanha de comunicação destinada aos tomadores de decisão politica, profissionais de saúde e ao público em geral.

Os professores Descamps e Subtil participaram em novembro último do congresso da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia onde apresentaram conclusões sobre suas missões em uma mesa redonda destinada ao desenvolvimento da analgesia peridural nos hospitais públicos.

publié le 10/12/2019

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